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Vestindo com o cotidiano, existe

 preconceito no vestuário de trabalho?

As roupas ganharam mais leveza com o passar do tempo. Fica a pergunta: o modo como nos vestimos, nos qualifica no ambiente de trabalho?

Por Raquel Nocera - Garoa News
30/11/2017 15:30  

Antigamente era comum ter vestimentas mais adequadas para se usar no ambiente de trabalho, as roupas eram mais sociais que passavam credibilidade ao empregado, trazendo aquele ar de seriedade. Nos dias de hoje podemos encontrar mais conforto nas peças usadas, mais leveza no visual e com diversidade de estilos.

O Garoa News procurou um profissional que se destaca nesse estilo mais leve, mais descontraído, já que é muito comum encontrarmos com frequência o uso formal nas vestimentas.

Entrevistamos o professor Rafael que leciona na Universidade Nove de Julho, que inclusive é o nosso professor de jornalismo cultural.

GaroaNews: Comecei perguntando a idade do Rafael,

para saber se ele pegou um pouco da formalidade que

atingia as gerações anteriores a nossas. E quanto

tempo ele está lecionando.

 

Prof° Rafael: Eu tenho 35 anos, e completo nesse ano

11 anos lecionando na Uninove, e como um todo são

13 anos trabalhando em escolas e em institutos de

pesquisas ligados a psicopedagogia.

 

GaroaNews: Rafael você já trabalhou em um lugar que

eles impunham que trabalhasse de social. Que tinham

um padrão de vestimenta?

Prof° Rafael: Então é estranho porque nunca é uma imposição é sempre uma cobrança velada, então você pode imaginar, eu entrei aqui na instituição Uninove com 24 anos para 25, e é muito estranho como a forma que você se veste ela também vai ser traduzida na forma como os alunos e os outros professores veem você, ai então nos meus primeiros 2 ou 3 anos aqui na instituição eu vivia de social. Obvio que anterior a isso como repórter, as redações exigiam isso para a gente, camisa social se você tem tatuagem abaixo da linha do cotovelo, na época eu não tinha era manga cumprida, e se você não tem manga curta. Mas sempre social, calça e sapato, camisa social dentro das calças e cinto. ainda bem que quase ninguém usa mais isso rs.

E sim por obrigação na redação de jornalismo, por imposição de sociedade e desconforto pessoal aqui na Uninove durante alguns bons anos.

Rafael Tosi - Professor Universitário - Foto por Raquel Nocera

Rafael Tosi - Professor Universitário - Foto por Raquel Nocera

GaroaNews: Você se recorda da época em que seu pais trabalhavam, se eles seguiam esse padrão social, ou se usavam uniformes que também era comum?

 

Prof° Rafael: É legal você fazer essa pergunta, ela descreve justamente esse Zeitgeist espirito do tempo em Alemão, como esse tempo muda de acordo com as gerações sociais em questão, sendo incorporadas no mercado de trabalho, meu pai era representante de vendas da Chamex, que hoje você deve conhecer alguns produtos como chamequinho de papel que é a maior empresa Latino Americana de comercialização de papel e material de escritório do Brasil, e como meu pai era representante de vendas e depois no final da carreira profissional dele foi

gerente de vendas no território do Brasil, ele tinha um uniforme dele que era camisa social, no máximo uma calça jeans, mas sempre sapato e gravata, e em reuniões terno e etc, não era um grande executivo mas era um executivo na área de vendas.

A minha mãe era secretaria, foi até assim que eles se conheceram dentro da empresa Chamex, então a minha mãe ela trabalhava também com um uniforme, saia abaixo do joelho, sapato, meia calça e camisa social. E é interessante pensa como a vestimenta foi sendo colocado para as pessoas como questão de hierarquia social, então se você ia trabalhar de jeans e uma camisa social por dentro das calças, o que hoje a gente chama de esporte chic, ante era roupa de sexta feira informal que meu pai usava, por que sexta feira não era obrigatório ir de gravata e calça social. Mas o sapato e a camisa eram uniformes, e no caso da minha mãe as mulheres não tinham esse benefício da informalidade, o mercado de trabalho sempre exigiu muito mais de vocês mulheres do que dos homens em tudo, inclusive nas vestimentas, com exceção talvez que vocês possam usar blusa de alcinha, decote e saia no verão, e os homens não, que por exemplo adoraria trabalhar de bermuda e regata, no Rio de Janeiro pode, mas em São Paulo nunca. 

GaroaNews: Professor você acha que ainda existe um preconceito, de achar que conforme as vestimentas se qualifica o trabalho e o profissional?

Prof° Rafael: Sim, eu acho sim, inclusive eu sou uma prova bípede, caminhante, testemunhal disso, quando eu não estou com o meu crachá de professor, isso as vezes para mim é até um elogio, o segurança me barra na porta da sala dos professores, e vários professores principalmente os de outras gerações aqueles professores que já estão um pouquinho mais velhos que meus pais que tem 65/ 66 anos de idade, me veem com camisa de banda, de personagem de desenho animado, de videogame, todo tatuado, eles me olham torto, as vezes com uma calça jeans mais larga, de tênis.

Eu acho que eu peguei tanto trauma de redação jornalística que nunca mais eu coloquei um sapato no meu pé depois dos meus 28 anos de idade, nem para casar eu me casei de sapato rs, mas sim eu acredito que há um preconceito, há um preconceito por que?! Porque a moda ela está diretamente atrelada a um status social, você nunca vai desconfiar de uma pessoa que vai te assaltar se essa pessoa estiver vestida de terno e gravata, por que a roupa dela não denota a intenção marginal que ela tem no coração ou na mente. Então isso também é incorporado no mercado de trabalho, incorporado nas áreas que nós atuamos, nos congressos científicos que vou como palestrante e que trago comigo a obrigatoriedade de roupas que escondem aquilo que eu realmente sou, um representante da cultura da rua, da cultura do skate, da cultura do rock, do punk, dos jogos eletrônicos e da cultura do entretenimento. No geral há um preconceito sim.

 

Bom eu como aluna do professor Rafael acho que ele é um ótimo professor independente da forma como ele se veste, inclusive eu acho que já tive professores que não se importavam muito em nos ensinar de maneira correta, o que existe muito hoje, e os mesmos trabalhavam formalmente socializados.

Essa entrevista foi maravilhosa agradecemos ao professor e deixamos aqui esse exemplo de que hoje em dia o modo como nos vestimos não influencia em nada no modo que trabalhamos.

Raquel Nocera

Estudante de Jornalismo, que ama crônicas e que um dia sonha em ser escritora.

Virginiana chata que não vive sem música e sem se conectar com a natureza... Ama Flores e bichos. Adora filmes, series e está sempre antenada nas novidades. Meus filmes preferidos são Star Wars e Harry Potter, então não fale mal deles rsrs. Levo uma vida na simplicidade transmitindo boas energias a todos. 

"Uns sentem a chuva, outros apenas se molham..."

Bob Dylan

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